Pousadas Próximas:
- Palmela 8Km
- Queluz 60Km
- Arraiolos 90Km
- Alcácer Sal 58Km
Locais de Interesse:
Setúbal:
- Convento de Jesus (Igreja de Jesus - Séc. XV e Museu)
- Catedral - Igreja de Santa Maria da Graça (Séc. XVI)
- Museu de Arqueologia e Etnografia
Outros locais de interesse:
- Azeitão
- Cabo Espichel
- Serra da Arrábida
- Sesimbra
- Estuário do Sado
- Tróia - ruínas romanas e praias
- Portinho da Arrábida
Festividades:
- Santos Populares (Setúbal)
- Festival de Cinema de Tróia
- Festival de Música dos Capuchos
Cirio de Nossa Senhora de Tróia (Setúbal)
História da Pousada:
A construção vista do pátio exterior que circunda o castelo, apresenta-se severa e sóbria, como modelar exemplo arquitectónico de traço militar que é. A Obra, cujo projecto obedecia aos modelos mais avançados da época, foi levada a cabo pelo Engenheiro militar italiano, Filipe Terzi.
A primeira cintura de muralhas, mandada construir no século XIV e que ficou conhecida pelo nome de cerca velha, é constituída por quatro portas, dezasseis postigos e numerosas torres e cubelos. A graciosidade das altas torres e o garrido das ameias e merlões são aqui trocados pela imponência de um perfil recortado num traço aberto de fundo em céu e mar, um traço radical a romper esta fusão de azul.
A fortificação abaluartada de planta irregular com seis pontas é reveladora das adaptações à artilharia, permitindo grande diversidade de posições de tiro e maior eficácia na defesa. Por outro lado, as muralhas são de construção inclinada de forma a oferecer também maior resistência ao impacto de projécteis. As saídas dos subterrâneos humanizam, em cada um dos seus ângulos interiores a impenetrabilidade da muralha, se bem que nada se vislumbre na escuridão destas aberturas.
O escudo nacional com as suas cinco quinas esculpidas na pedra, representando as nossas cruzadas, sobre a chave de um arco emoldurado em alhetas, é o único elemento decorativo do belo pórtico do Castelo.
Embora não haja vestígios de um fosso com água contornando a construção, reconhecem-se na parede os traços da anterior existência de uma ponte levadiça. Esta entrada encontra-se vedada por duas portas de madeira, magníficas de volume e antiguidade, com os seus quatro batentes ornamentados por compridos gonzos e pesados ferrolhos e cintas, sendo o seu estado ainda original.
Na amplitude do átrio, a nudez e simplicidade das paredes, restauradas recentemente, não deixam margem a especulações e apenas um pequeno forno ali se encontra, quebrando a impessoalidade desta dependência, tendo servido em tempos para aquecer a sentinela.
Impossível estimar quantos passos traçaram o desgaste desta laje, mas sabemos que a atravessaram tropas e populares que vitoriosas em 14 de Dezembro de 1640 levaram a guarnição castelhana do Castelo à rendição, como também traidores que tentaram assassinar os nossos reis e aqui foram detidos até ao seu julgamento, ou ainda o nobre passado de Jerónimo de Melo e Castro, governador do Castelo e descendente por linha recta da ligação de D. Pedro e Dª Inês de Castro e o circular vigoroso de tanta gente que na sombra existiu, edificando não só aqui como em todo o País, um passado sob o qual vivemos.
Foram alguns os incentivos ao desenrolar da obra, entre os quais, o lançamento de novos impostos à população e aos negociantes de sal.
Embora o forte, cujas obras foram concluídas por volta de 1600, tenha sido mandado edificar na sequência de uma imperiosa necessidade de controlar o acesso à barra do Sado, dos navios estrangeiros que procuravam o forte comércio de sal e pescas, não deixa de ser notável a sua defensiva posição em relação à cidade, factor este que viria a ter expressão na sua tenaz resistência aos tumultos da restauração em 1640.
Com efeito, só no dia 14 de Dezembro do mesmo ano e após seis dias de resistência ao cerco que João Gomes da Silva aqui levantou, depois de aclamar D. João IV Rei de Portugal, esta fortaleza e as suas tropas se renderam aos militares e à população de Setúbal, aceitando por fim o novo regime proclamado na revolução do dia 01 de Dezembro de 1640.
Aqui foram retidos, em 28 de Julho de 1641 alguns dos suspeitos de participação na tentativa de regicídio contra o novo rei, tais como D. António de Ataíde, conde de Castanheira e outros, que foram julgados e sentenciados imediatamente, pela conspiração que tinha por chefe o Arcebispo de Braga, D. Sebastião de Matos e Noronha. Foi este Castelo novamente usado como prisão de estado, quando em 1758 aqui foram retidos alguns fidalgos acusados de conspirar contra a vida de D. José I.
Foi acrescentada a casa do Governador que viria a ser consumida pelas chamas em 10 de Fevereiro de 1868, juntamente com os quartéis, na sequência de um acto criminoso que se julga encobrir uma manobra política destinada a desviar a atenção popular das eleições que nesse dia se realizavam na cidade.
Também aqui foi aprisionado Paulino de Oliveira, poeta e Jornalista republicano, acusado de encabeçar um violento tumulto popular em Março de 1890. Três anos mais tarde escreve “Em Ferros de El-Rei”, em que relata os 30 dias de encarceramento.
Em relação à arquitectura do castelo, destaca-se a sala que agora serve de sala de reuniões, mas onde outrora se estirava um carcereiro indiferente, enquanto na dependência anexa os prisioneiros aguardavam sentados o momento de serem conduzidos a uma cela fria e sem luz, onde muitos passariam o resto dos seus dias.
A capela de S. Filipe foi mandada erguer pelo rei D. Manuel em 1736 e contém um valor decorativo que reside na riqueza do azulejo azuis e brancos do século XVIII, que forra cada milímetro das suas paredes e tecto – manifestação de arte da autoria de Policarpo de Oliveira Bernardes, os painéis que representam parte da vida de S. Filipe, quase intactos nos dias de hoje.
Nas paredes da capela-mor que envolve o altar, a Virgem pintada em sucessivas cenas da sua vida, terá assistido vezes sem numero ao ritual religioso que ali já não se celebra, pois a última cerimónia foi um casamento em 1973.
Ainda assim, se bebe da vista generosa um agradável panorama. A cidade que viu nascer Bocage e Luiza Tody, a cidade que desenvolve ecos do sol escaldante de Julho, transpirando indolente o murmúrio do labor das gentes, existe à esquerda, protegida e súbdita, ante a imponência do forte.
Em frente o rio refresca a visão ensolarada do turista, que estende a curiosidade até onde o Sado vai afagar as areias de Tróia. A serra da Arrábida eleva-se à direita e para lá das curvas onde se perdem filas de carros em busca das praias, se adivinham sombras e frescuras bem capazes de dignificar o crédito paisagístico que merece o nosso Portugal.
Neste Castelo, para além do deleite visual que nos oferece qualquer ponto da muralha, paira um leve cheiro a passado. São passos de uma vida quotidiana soterrada em quatro séculos de história. Se um sopro de imaginação pudesse dar vida às paredes grossas e tumulares veríamos erguer-se da laje fria um quadro animado de vida em corte durante o reinado de Filipe II, rei de Espanha e Portugal.
As obras de restauro efectuadas aquando da adaptação à Pousada, inaugurada em 1965, não vieram apagar completamente o traço anterior. Uma certa rusticidade, a despeito da posterior adaptação, confere à Pousada um ambiente verdadeiramente repousante, temperado com decoração adequada, simples e sóbria, óptimas condições, quer pela amplitude das suas instalações, quer pela selecção do seu serviço verdadeiramente à altura à altura do bom turismo que nos propomos praticar.
História de Setúbal
Os registos de ocupação humana no território do concelho remontam à pré-história, tendo sido recolhidos, em vários locais, numerosos vestígios desde o Neolítico.
Com a presença romana, nos séculos I a IV da nossa era, nasceu Cetóbriga, um importante núcleo urbano e industrial, principalmente ligado à salga de peixe, que se estendeu pelas duas margens do rio Sado, integrando Tróia.
Durante as invasões bárbaras e a ocupação árabe, a zona habitada foi progressivamente abandonada devido ao avanço das areias. Atalaias como Palmela, portos mais abrigados, como Alcácer do Sal, e vales férteis, como Azeitão, foram os locais escolhidos pelos invasores muçulmanos para se fixarem.
Após a conquista de Palmela aos mouros e do estabelecimento da Ordem de Santiago da Espada, Setúbal foi repovoada, primeiro na colina de Santa Maria e, progressivamente, na zona baixa que se estende até ao actual bairro de Troino. Recebeu, em 1249, de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem, a primeira carta foral.
Setúbal, com uma extensão territorial relativamente diminuta, teve que afirmar-se, lutando com os concelhos vizinhos - Palmela, Santiago do Cacém e Alcácer -, já então constituídos.
Com as dificuldades apresentadas pelos habitantes, no que diz respeito à entrada e venda de produtos trazidos de Sesimbra, Palmela e Alcácer, o mestre de Santiago, D. Garcia Peres, em 1343, deu execução a uma carta de D. Afonso IV, que delimitava o termo de Setúbal, tendo sido construída uma cortina de muralhas.
Ao longo do século XV, a vila desenvolveu actividades económicas, ligadas sobretudo, à indústria e ao comércio, tirando rendimentos elevados com os direitos cobrados pela entrada no porto.
Os primeiros conventos franciscanos, um deles o Convento de Jesus, foram construídos em Setúbal durante esse século.
A época dos descobrimentos trouxe um grande desenvolvimento, tendo D. Afonso V, em 1458, partido do porto de Setúbal à conquista de Alcácer Ceguer.
A construção de um aqueduto, em 1487, que conduzia a água à vila, iniciada por D. João II, terminou no reinado no reinado de D. Manuel. Este monarca reformou o foral da vila, em 1514, devido ao progresso e aumento demográfico que Setúbal tinha registado ao longo do último século.
O título de “notável villa” é concedido, em 1525, por D. João III, sendo este título que proporcionou a criação, em 1553, por carta do arcebispo de Lisboa, D. Fernando, de duas novas freguesias, a de S. Sebastião e a da Anunciada, que se juntaram às já existentes S. Julião e Santa Maria.
A cerca de um quilómetro de Setúbal, o rei D. Filipe II mandou edificar uma fortaleza – a de S. Filipe, cujos trabalhos foram iniciados em 1582.
O terramoto de 1755 destruiu e danificou muitos edifícios, tendo as freguesias localizadas na zona mais baixa de Setúbal sido as mais afectadas.
Ao longo do século XIX, o desenvolvimento económico e social transformou a vila num dos mais importantes centros comerciais e industriais do país. A elevação a cidade deu-se em 1860, por carta régia, após solicitação da Câmara, dois anos antes, ao rei D. Pedro V. Nessa altura, foi inaugurada a via férrea Barreiro-Setúbal e, em 1863, a iluminação a gás. As obras de aterro sobre o rio iniciaram-se, fazendo nascer a avenida Luísa Todi.
Setúbal foi elevada, em 1926, a sede de distrito e, em 1975, a cabeça de diocese.